Quando o Dr. “Indiana” e John chegaram à cidade, esta encontrava-se já em pleno movimento, com várias tendas a venderem uma diversidade de artigos, a maioria orientada para os turistas que se podiam encontrar por todo o lado. “Esta gente levanta-se muito cedo!” admirou-se Paul, aborrecido com o facto de ser impossível levar o jipe até à esquadra. Saíram então do carro, com Rastachin já acordado, entre os dois.
Com esforço atravessam a multidão, mas não sem que vários pares de olhos espantados os observassem devido ao estado em que Rastachin vinha: amarrado e com dificuldades em caminhar entre os dois forasteiros. De repente ecoa no ar, junto de Paul, um som abafado que ele reconheceu como um toque de telefone. O som parece vir do bolso das calças do falso polícia, e Paul precipita-se a retirá-lo, observando, admirado, que se trata de um telefone por satélite. Este facto leva-o a convencer-se mais do que já estava, de que quem estaria por detrás dos acontecimentos recentes seria alguém com interesses no local. O telefone continuava a tocar nas mãos de Paul e este decide atender.
- Estou sim?
-…
- Então? Pergunta John impaciente.
- Desligaram, e infelizmente este aparelho não regista a origem das chamadas – Responde Paul, desiludido – De qualquer maneira, entregamos este malfeitor à polícia, que logo eles tratam de o fazer falar.
Paul enfiou o telefone no seu bolso, e continuaram o seu caminho pela multidão até chegarem a um edifício que dificilmente classificariam como esquadra, não fosse o dístico sobre a porta. Tratava-se de edifício semelhante aos outros todos, construindo com um material que lhes dava um efeito estranho, mas agradável ao mesmo tempo: Parecia que pertenciam literalmente à terra, que teriam crescido como plantas.
Quando o Dr. “Indiana” e John entraram na esquadra da polícia, o recepcionista olhou-os com desconfiança, pois traziam, aparentemente, um colega seu amarrado. Era um indivíduo que já não seria muito novo, com uma barriga algo proeminente, de cabelo escuro curto e com remoinhos. Encontrava-se sentado com uma secretária de madeira à sua frente onde Paul verificou exasperado que este trabalhava ainda numa máquina de escrever. Um arquivo, uma porta à direita da secretária e uma ventoinha completavam o espaço.
- O que é que se passa aqui? Perguntou o polícia, em egípcio, por detrás do balcão de atendimento.
- Este indivíduo é um falso polícia que nos tentou assassinar! Disparou Paul, também em egípcio.
- Se não fosse eu, já ele teria realizado os seus intentos! Disse John orgulhoso, perante o olhar exasperado de Paul.
- Têm provas daquilo que afirmam?
- Sim, ele tentou soterrar-me a mim e à minha equipa, no interior da nossa escavação, usando explosivos e um detonador… Presumo que estes contenham as suas impressões digitais.
- O que tem a dizer sobre isto? Perguntou o polícia a Rastachin, mas este não proferiu qualquer palavra.
- Bem, a sua resposta facilita-me o trabalho – dito isto, o policia pega numas algemas e aplica-as no pulso de Rastachin – Enquanto investigamos as alegações destes forasteiros vai ficar detido preventivamente numa das nossas confortáveis celas – ironizou.
O polícia levanta-se, aproxima-se de Rastachin e revista-o. Não encontrando nada de ameaçador, empurra-o, obrigando-o a caminhar à sua frente, em direcção à porta do lado direito. Paul segue atrás, mas, antes de atravessar a porta, o polícia impede-o.
- Não é autorizada a entrada a estranhos, a não ser visitantes devidamente autorizados. – Dispara com rispidez. Este facto preocupa Paul, mas, não se atrevendo a contrariar o polícia, nada diz.
- Não lhe dizemos nada sobre o telefone? Pergunta John.
- Por enquanto não. Não sei se confio nele. Responde Paul.
Passados alguns minutos, o policia volta, afirmando que o falso polícia já se encontra encarcerado, mas não definitvamente preso sem antes terem sido apuradas as suas impressões digitais. Voltam então para a multidão dirigindo-se ao jipe.