quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Capítulo V - III e Última Parte

Yφα υχουπζωπ σ ωξσρυπω ωξξω μω λυθυπυ κζπ, ρω ιθυιυπ μω υπμωπ οωξσ, ωφυξδποκη οωπ ωμωχμαθπτκεμ ζσμ υξυερυθπω. Nκμκ ζκζυ, ρω ηωη υπνωηζυ υεχμανκμυη χπω κηω ωικοωξεβυ ηυ υηωη.

Paul estava estupefacto com a situação. De facto, todas as tentativas que efectuou para tentar perceber o que estava escrito nos manuscritos foram goradas. Entretanto, alguns estudantes tinham começado a limpar a poeira e terra de uma das colunas dóricas. Paul ouve de repente um dos estudantes emitir uma exclamação surda.
- O que se passa? Pergunta.
- Não posso acreditar!
Paul desloca-se para junto deste, e olhando para a coluna, fica siderado. Por baixo da poeira que ainda revestia a maior parte da coluna eram visível algo que nunca esperaria encontrar numa coluna dórica.
“Hieróglifos! Numa coluna dórica! Isto parece cada vez mais a Twilight Zone” Pensou, estupefacto. Tentou ler os enigmáticos caracteres, e, ao contrário do que se passava com os caracteres gregos, estes não impuseram qualquer problema. No entanto, quando terminou de os decifrar, não queria acreditar na sua própria tradução, pondo também a hipótese de estes se encontrarem “baralhados” tal como os gregos.
- Quero toda a gente a trabalhar imediatamente nas colunas! Ponham-nas todas a descoberto, retirem a poeira e a terra que as cobrem! Ordenou. Precisava de saber imediatamente se as palavras juntas teriam coerência.

Capítulo V - Parte II

O professor Stuart Mall despertou, sentindo-se ainda zonzo e mal disposto. Pouco a pouco os seus sentidos retomaram o seu funcionamento normal e Stuart lembrou-se então do que se tinha passado. “Isto não pode estar a acontecer... Não agora… Como pude ser tão ingénuo? Como é que eles me encontraram tão depressa? Como será que estão as coisas no Egipto?”. De repente recupera a visão e o que vê arrepia-o. Encontrava-se amarrado a uma cadeira numa sala de uma casa ricamente mobilada, com uma lareira a crepitar ao fundo. Junto a esta encontrava-se Kevin Reynolds.
- O que se passa aqui? O que quer de mim? Perguntou Stuart.
Kevin nada responde. Um ruído no exterior chamou a atenção de Kevin. Alguém estava a chegar de automóvel. O som do automóvel pára. Ouve-se a porta deste abrir e a fechar. Passos na gravilha. Uma porta a abrir e fechar. Cada vez mais próximo. O coração de Stuart parece dar pulos no seu peito em sintonia com todos estes ruídos. Finalmente, a porta da sala onde se encontra Stuart abre-se, levando este a suster a respiração. Quando o indivíduo entrou, Stuart ia sofrendo uma apoplexia. Curiosamente, o mesmo se passou com aquele.
- Tu??? – O individuo era Leonel Dupont, que assim que viu Stuart ficou branco com a cal, parecendo que tinha acabado de ver um fantasma. Cambaleou com a surpresa. De facto por um momento deve ter pensado que tinha um fantasma à sua frente pois, após se ter recomposto, disse:
- Tu estás vivo! Como é possível?
- Eu não morro enquanto não atingir o meu objectivo. É o meu destino! Respondeu Stuart, rispidamente.
- És louco, completamente louco!
- Meu caro, vocês estão cegos, completamente cegos! A vossa causa não tem sentido! Eles têm de saber a verdade!
- O teu passado é que te cega a ti! - Ripostou Leonel – Vejo que continuas com as mesmas intenções loucas e delirantes. Só dou graças por termos conseguido reagir a tempo. – Esta última frase desmoralizou Stuart.
- Admira-me como é que te atreveste a mudar o nome, em que tanto orgulho depositas, por um tão normal e vulgar como Stuart Mall – continuou Leonel.
- Há sacrifícios que têm de ser feitos, para atingir os objectivos a que me propus. O fim da ignorância vale tudo. Mas já agora, se vais acabar comigo, algo que é ridículo, dado acredito que o que pus em marcha não vai parar, faz-me um último favor. Não pretendo morrer como Stuart Mall… deixa que nos livros de história, porque eu estou a fazer história, que seja reconhecido com o meu nome de sangue.
- Não sei como sobreviveste, Ronald Van Duyn, mas não vais estar vivo por muito mais tempo... nem fazer história… Pelos vistos contínuas com as mesmas intenções, após todos estes anos.
- Acredito que aquilo que estou a fazer é o mais correcto. – Respondeu rispidamente Ronald.
- Seja como for, não viverás o suficiente para presenciar aquilo a que pretendes dar origem... Apesar de ser contra esta forma de resolver os problemas, “há sacrifícios que têm de ser feitos” – ironizou – Tu és demasiado perigoso para se ter misericórdia. Kevin, podes fechar o assunto.
O professor Ronald van Duyn vê Kevin Reynolds retirar um revólver do bolso... “Isto não pode acabar assim. A minha luta não pode acabar assim... Todo este esforço... para nada...” Kevin aproxima-se... encosta o revólver à nuca do professor... e um som ecoa pela sala.

Capítulo V - Parte I

- Ninguém os consegue ler… – Disse uma voz atrás de Paul que ele identificou como sendo de Peter Trown. De facto, em cima do altar que Paul tinha à sua frente encontrava-se uma pilha de manuscritos.
- Espero que ninguém os tenha tocado!!! Interrompeu Paul.
- Sim, a tentação foi muito grande, mas não tocámos, apenas olhámos e… – O inicio da frase fez Paul sentir-se aliviado, para o fim o sobressaltar com o “e”…
- E?
- E… ninguém os consegue ler… parecem estar escritos em grego, mas… não faz muito sentido… a disposição dos caracteres não faz muito sentido…
- Bem, eu já vou ver isso – Paul sentiu-se mais aliviado e, como de costume, subestimou os estagiários, concluindo que estes não deviam ter tido grandes notas a Grego.
- Mas professor, o polícia está lá em cima…
- Pois é… ajudem-no naquilo que ele precisar…
- Nós já o fizemos… ele já recolheu as impressões digitais, mas precisa de falar consigo… e tem claustrofobia, por isso recusa-se a entrar nas escavações – A ultima parte da frase foi dita quase num sorriso.
- Muito bem, então vamos lá ter com ele – Respondeu Paul também com um sorriso estampado no rosto. No entanto, Paul abandonou a câmara contrariado. As suas emoções cada vez eram mais difíceis de controlar.
Encontraram o polícia à entrada da escavação, a observar as paredes de rocha com alguma atenção.
- Está à procura de provas?
- Não, apenas a confirmar uma suspeita… Para além de ser policia, tenho como hobby a geologia… Sou licenciado em geologia. Infelizmente não tive oportunidade de prosseguir carreira. Bem, parece-me que o criminoso apenas pretendia provocar uma pequena derrocada à entrada… de modo a vos fechar no interior da escavação. A explosão não seria grande o suficiente para provocar o desmoronamento de toda a escavação.
“Se ele não tencionava destruir toda a escavação, é porque, realmente sabia o que aqui está, e que isto, o que quer que seja, poderá ter algum significado” pensou, sonhando já com o reconhecimento que sempre desejou desde que enveredou pela carreira de arqueólogo.
- Bem, vou voltar para a esquadra… Quando tiver mais informações entro em contacto consigo…
- Espere, seria possível ter alguém connosco a vigiar as escavações? Depois disto temos receio pelo que possa suceder – Perguntou John a Paul.
- Sim tens razão – Respondeu Paul, interrogando de seguida o policia.
- Vou ver o que posso fazer. Esta esquadra não tem competências nem meios para tal.
Dito isto, o polícia abandona as escavações em direcção ao seu veículo. Paul entra novamente nas escavações, seguido de um grupo de alunos. Volta a entrar na câmara, observando mais de perto a pilha de manuscritos: Notava-se a sua antiguidade, por alguma descoloração, mas, ao mesmo, impressionava o seu estado de conservação, sendo possível distinguir quase todos os caracteres.
E foram estes que deixaram Paul perplexo. Tal como os estagiários tinham afirmado, embora os caracteres se parecessem com os do grego antigo, a sua organização não fazia qualquer sentido.

Capitulo IV - IV e Última Parte

Stuart Mall saiu do Instituto com o indivíduo que se identificara como Kevin Reynolds, dono de uma cadeia de loja de antiguidades, em direcção ao seu veículo.
- Professor, venha no meu carro – apelou Kevin, o que fez o sentido de alerta do professor disparar, fazendo-o repensar a decisão que tinha tomado.
- Não, eu vou no meu carro atrás de si.
- Olhe o aquecimento global professor. Não vale a pena irmos os dois em cada carro.
Perante este argumento, o professor não teve outro remédio senão aceitar o convite, seguindo com Kevin, rua abaixo, até que este se dirigiu a um veículo vermelho, com ar desportivo. O automóvel arrancou, deslocando-se em direcção a sul. O Professor continuava a meditar sobre a sua atitude, interrogando-se vezes sem conta se não estaria a cometer uma loucura que lhe poderia custar a sua vida antes de o seu objectivo estar concretizado, ou dar origem a consequências ainda mais graves do que a sua morte…
De repente, numa questão de segundos, Kevin pressiona um botão no tablier do veículo, e o Professor vê, impotente, um gás libertar-se directamente em direcção às suas narinas. Ainda tentou conter a respiração, mas esta armadilha apanhou-o de surpresa, absorvendo o gás ainda antes de o fazer. Poucos segundos depois dormia profundamente.

Capítulo IV - Parte III

Quando Paul, John e o polícia egípcio chegaram ao acampamento, os estudantes encontravam-se de novo numa enorme excitação, vindo alguns ao seu encontro.
- Já está tudo quase resolvido, podem ficar descansados – disse-lhes Paul – Agora é necessário recolher impressões digitais dos explosivos e detonador…
- Ah! Mas nós até já esquecemos esse episódio. Temos algo mais interessante em que pensar… replicou Peter Trown, com ar triunfante.
- Eu não tinha proibido que entrassem nas escavações? – Perguntou Paul, oscilando entre o aborrecido por não terem cumprido as suas ordens, e a excitação e curiosidade.
- Descobriram mais alguma coisa? Atalhou John Pierce.
- Após o professor e o John terem ido embora, continuámos a trabalhar na parede entre as duas colunas, porque nos pareceu óbvio que existiria algum espaço vazio entre elas. Pouco depois de termos iniciado o trabalho, a parede começou a desabar sozinha.
- Desabou sozinha? – Perguntou Paul incrédulo.
- Sim, e do outro lado existe uma câmara maior, quadrada e limitada por paredes de terra semelhantes à que desabou, e mais duas colunas dóricas.
- Está vazia? Perguntou Paul cada vez mais irrequieto.
Os estudantes olharam uns para os outros e Peter respondeu:
- Não…. – Mas apenas o polícia egípcio lhe devolveu um olhar confuso… não percebia inglês.
Paul precipitou-se para o interior da escavação, caminhando em passo acelerado em direcção à estranha câmara. Não se sentia tão entusiasmado desde que tinha ingressado na Universidade. A partir daí a sua vida tinha sido uma espiral de desilusão, pelo menos a nível pessoal. Era como se detivesse uma aura invisível, que o afastava dos outros, excepto a nível profissional e académico. No entanto, até esta vertente tinha decaído nos últimos anos, com trabalho monótono e de gabinete.
Ao entrar na pequena câmara que tinha visitado de manhã, reparou imediatamente nas mudanças descritas pelos alunos. A parede existente entre as duas colunas tinha desabado de facto. Assim, o espaço encontrava-se em estado de caos, que teve de atravessar com cuidado, maldizendo o pouco cuidado e organização dos estudantes.
Ao atravessar o vácuo onde antes estava a parede, Paul estacou maravilhado. Estaria a sonhar? A câmara que se encontrava à sua frente detinha uma ambiência de fantasia. Era de facto quadrada, limitada pelas quatro colunas dórica, e por um tecto também de pedra, mas lisa, onde seria fácil adivinhar a existência de um frontão. No entanto, não era isso que o fascinava.
No centro da câmara encontrava-se um pequeno altar, formado por um pedestal semelhante às colunas dóricas, mas mais baixo. Por cima deste, estava a última coisa que Paul esperaria encontrar…

Capítulo IV - Parte II

Universidade de Memphis, 10h da manhã. Um indivíduo entra no edifício onde se situa o Instituto de Arqueologia e Arte Egípcia e dirige-se à recepção, onde o informam sobre a localização do gabinete do Prof. Stuart Mall. Na posse desta informação, e munido com a autorização necessária, entra no elevador e prime o botão com o número do piso correspondente.

O professor Stuart Mall encontrava-se à sua secretaria, a tentar trabalhar, pois o seu pensamento voava para o que se estaria a passar no Egipto, e para as consequências já desencadeadas entretanto, e até quando ficaria impune. O seu gabinete mostrava tratar-se de alguém com importância naquela instituição: com uma área generosa, mobilado com móveis de madeira de alta qualidade, sofás confortáveis e ainda uma lareira que neste momento encontrava-se apagada.
Quando sentiu baterem à porta do seu gabinete, deu um pulo na sua cadeira, e o seu coração disparou. Fazendo um esforço tremendo para se recompor, deu permissão de entrada. Quem quer que fosse, certamente que não arriscaria nada contra ele no interior do Instituto.
Um indivíduo desconhecido, de estatura média, com pele muito clara e olhos negros abriu a porta:
- Bom dia! Dá-me licença Prof. Stuart Mall?
- Sim, claro entre… Sr…
- Kevin Reynolds, professor.
- Mr. Reynolds, faça o favor de se sentar. – Disse o professor apontando para os sofás.
- Trate-me por Kevin, por favor.
- Muito bem… então Kevin, o que o trás por cá?
- Bem, eu sou sócio maioritário de uma cadeia de lojas de antiguidades…
- A “Kevin’s Antiques”?
- Sim, como adivinhou? – Respondeu Kevin com ar trocista - Há alguns dias comprei um artigo que acho que lhe pode interessar… Contactei a Universidade e disseram-me que era a pessoa mais indicada para tratar do assunto.
- Ah sim? E do que se trata?
- Algo que pode ter um valor muito elevado, e que me pode render uma quantia elevada… se for verdadeiro. Por isso não o trouxe comigo para aqui…
- Então como quer que o veja?
- Talvez se o professor pudesse deslocar-se a minha casa? – Este convite deixou o professor siderado, desconfiado, e também com medo, embora não o admitisse.
- Sim, mas não espera que eu aceite ir a casa de alguém que não conheço sem ter qualquer ideia de que objecto se trata… Tenho muito trabalho para fazer. – Respondeu.
- Digamos que se trata de um minério… diferente… Contactei alguns amadores da área da Geologia que ficaram entusiasmados… Disseram mesmo que nunca viram nada assim… Posso lhe dizer até mais: Trata-se de uma liga de minerais que não se pensava ser possível existir. No entanto, gostaria de ter uma opinião mais profissional… Como já referi, telefonei para a Universidade e deram-me a sua referência como entendido e interessado na matéria, apesar de não trabalhar na Área da Geologia. Posso contar consigo?
“ Não devia”, pensou Ronald, num conflito interior consigo próprio. Por um lado tinha medo de que se tratasse de uma maneira de ser apanhado, por outro lado, a paixão que detinha sobre a geologia e tudo o que se prendesse com recursos naturais forçava-o a aceitar o convite. “Não me parece que este tipo tenha algo a ver com o que se passa no Egipto.” Pensou. Assim, a curiosidade foi mais forte:
- Sim, quando é que pretende que eu analise esse material?
- Eu pretendia o mais rapidamente possível… que tal agora?
Esta última afirmação fez Stuart reconsiderar. “Se forem eles, sou apanhado agora, mas mais tarde ou mais cedo irá acontecer, só posso esperar que o plano resulte, mesmo que isso me custe a vida. Por outro lado, se não forem, perco a oportunidade de testemunhar uma descoberta importante”. Mais uma vez, a curiosidade foi mais forte.
- Pode ser… deixe-me só informar o instituto que me vou ausentar. Tinha algumas aulas hoje à tarde… - Responde já com a mão no telefone.

Capítulo IV - Parte I

Quando o Dr. “Indiana” e John chegaram à cidade, esta encontrava-se já em pleno movimento, com várias tendas a venderem uma diversidade de artigos, a maioria orientada para os turistas que se podiam encontrar por todo o lado. “Esta gente levanta-se muito cedo!” admirou-se Paul, aborrecido com o facto de ser impossível levar o jipe até à esquadra. Saíram então do carro, com Rastachin já acordado, entre os dois.
Com esforço atravessam a multidão, mas não sem que vários pares de olhos espantados os observassem devido ao estado em que Rastachin vinha: amarrado e com dificuldades em caminhar entre os dois forasteiros. De repente ecoa no ar, junto de Paul, um som abafado que ele reconheceu como um toque de telefone. O som parece vir do bolso das calças do falso polícia, e Paul precipita-se a retirá-lo, observando, admirado, que se trata de um telefone por satélite. Este facto leva-o a convencer-se mais do que já estava, de que quem estaria por detrás dos acontecimentos recentes seria alguém com interesses no local. O telefone continuava a tocar nas mãos de Paul e este decide atender.
- Estou sim?
-…
- Então? Pergunta John impaciente.
- Desligaram, e infelizmente este aparelho não regista a origem das chamadas – Responde Paul, desiludido – De qualquer maneira, entregamos este malfeitor à polícia, que logo eles tratam de o fazer falar.
Paul enfiou o telefone no seu bolso, e continuaram o seu caminho pela multidão até chegarem a um edifício que dificilmente classificariam como esquadra, não fosse o dístico sobre a porta. Tratava-se de edifício semelhante aos outros todos, construindo com um material que lhes dava um efeito estranho, mas agradável ao mesmo tempo: Parecia que pertenciam literalmente à terra, que teriam crescido como plantas.
Quando o Dr. “Indiana” e John entraram na esquadra da polícia, o recepcionista olhou-os com desconfiança, pois traziam, aparentemente, um colega seu amarrado. Era um indivíduo que já não seria muito novo, com uma barriga algo proeminente, de cabelo escuro curto e com remoinhos. Encontrava-se sentado com uma secretária de madeira à sua frente onde Paul verificou exasperado que este trabalhava ainda numa máquina de escrever. Um arquivo, uma porta à direita da secretária e uma ventoinha completavam o espaço.
- O que é que se passa aqui? Perguntou o polícia, em egípcio, por detrás do balcão de atendimento.
- Este indivíduo é um falso polícia que nos tentou assassinar! Disparou Paul, também em egípcio.
- Se não fosse eu, já ele teria realizado os seus intentos! Disse John orgulhoso, perante o olhar exasperado de Paul.
- Têm provas daquilo que afirmam?
- Sim, ele tentou soterrar-me a mim e à minha equipa, no interior da nossa escavação, usando explosivos e um detonador… Presumo que estes contenham as suas impressões digitais.
- O que tem a dizer sobre isto? Perguntou o polícia a Rastachin, mas este não proferiu qualquer palavra.
- Bem, a sua resposta facilita-me o trabalho – dito isto, o policia pega numas algemas e aplica-as no pulso de Rastachin – Enquanto investigamos as alegações destes forasteiros vai ficar detido preventivamente numa das nossas confortáveis celas – ironizou.
O polícia levanta-se, aproxima-se de Rastachin e revista-o. Não encontrando nada de ameaçador, empurra-o, obrigando-o a caminhar à sua frente, em direcção à porta do lado direito. Paul segue atrás, mas, antes de atravessar a porta, o polícia impede-o.
- Não é autorizada a entrada a estranhos, a não ser visitantes devidamente autorizados. – Dispara com rispidez. Este facto preocupa Paul, mas, não se atrevendo a contrariar o polícia, nada diz.
- Não lhe dizemos nada sobre o telefone? Pergunta John.
- Por enquanto não. Não sei se confio nele. Responde Paul.
Passados alguns minutos, o policia volta, afirmando que o falso polícia já se encontra encarcerado, mas não definitvamente preso sem antes terem sido apuradas as suas impressões digitais. Voltam então para a multidão dirigindo-se ao jipe.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Capítulo III - IV e Última Parte

- John!!! Exclamaram os seus colegas quando este apareceu vindo do túnel de acesso à câmara.
- Mas que raio é que se passou aqui? Encontrei um indivíduo lá em cima prestes a enterrá-los vivos! Respondeu.
- Onde é que ele está? Perguntou Paul.
- Lá em cima, de pés e mãos amarrados.
- Só pode ser um louco! Exclamou uma rapariga loira, de olhos azuis. E tu salvaste-nos!!! És o nosso herói!
- O que passou lá fora?
- Bem, eu estava a chegar depois da compra de mantimentos, e encontrei uma motorizada estacionada ainda a uma certa distância do acampamento. Como achei estranho, resolvi estacionar o jipe ali, e vir a pé até ao acampamento. Quando estava a chegar, encontrei este indivíduo à entrada das escavações. Aproximei-me por detrás dele e verifiquei que estava a falar para algo parecido com um telefone.
- E... o que dizia ele? Perguntou Peter Trown.
- Disse para quem o ouvia, que o responsável por um acto qualquer, era o Professor Stuart Mall.
- Stuart Mall? O professor que nos deu aquela cadeira engraçada sobre sociedades secretas? Perguntou a rapariga dos olhos azuis.
- Provavelmente. Respondeu John.
- Então e depois?
- Depois é muito simples. Como vi que ele se preparava para vos fazer ir pelos ares, fui buscar uma pá ao jipe, e dei-lhe com ela.
Nada podia agradar mais a John do que ser o herói do dia, mas Paul interrompeu o seu momento de glória.
- Temos de o apresentar às autoridades o mais depressa possível. E vou ver se consigo algum tipo de vigilância para o acampamento. John, vem comigo! Tens de contar tudo o que se passou lá fora!
- Ok, ok, mas... vamos deixar o pessoal aqui sozinho depois do que se passou?
- Boa observação, mas... eu já tinha pensado nisso – replicou Paul, com um sorriso malicioso – Não quero toda a gente aqui dentro enquanto não voltarmos da cidade! Organizem-se em turnos de vigia de 3 ou 4 pessoas. Estejam muito atentos a tudo o que se passa à vossa volta. Ah, e não quero ninguém a remexer nos explosivos e detonador. Podem conter as impressões digitais deste criminoso.
Paul e John dirigiram-se de seguida para o jipe, carregando o falso policia até ao jipe, arrancando de seguida em direcção à cidade.

Capítulo III - Parte III

Aquilo em que John Pierce viu o desconhecido mexer eram explosivos conectados a um detonador que se situava recuado dezenas de metro destes. John percebeu imediatamente a intenção. Os seus companheiros iam morrer soterrados!
Resolveu então tomar uma atitude. Apressou-se a regressar ao jipe e abriu a bagageira. Ficou ainda mais aflito, ao constatar a quantidade de material que aí se encontrava. Começou a retirar tudo para fora, procurando algo que lhe servisse de arma, até que encontrou uma pá utilizada nas escavações.
Regressou apressadamente ao local do acampamento, mas… já não viu o indivíduo! Os explosivos encontravam-se no mesmo sitio, mas este e o detonador não! Olhou em volta apressadamente… sendo bafejado pela sorte, pois a lua foi descoberta pelas nuvens, possibilitando-lhe ver até uma maior distância. Nesse momento, avistou o indivíduo um pouco mais longe. As hipóteses de se conseguir aproximar antes da detonação eram poucas, apercebeu-se cada vez mais aflito. Não obstante, resolveu aproximar-se do indivíduo por detrás, o que o faria ter que percorrer uma maior distância dado que ia ter de o fazer para que este não se apercebe-se. O tempo que demorou a percorrer essa distância pareceu-lhe interminável. Quando se aproximou mais do indivíduo, reduziu o passo, e, aproximou-se lentamente, levantou a pá e... desferiu-lhe uma pancada mesmo em cheio na nuca.
O indivíduo deu um uivo de dor e caiu por terra inanimado.
Acto contínuo, John dirigiu-se rapidamente à tenda principal trazendo consigo de volta uma corda, com que amarrou as mãos e os pés do indivíduo.
Só depois de ter a certeza que os nós estavam bem apertados é que o jovem estudante se dirigiu para o local das escavações.

Capítulo III - Parte II

O telemóvel de Leonel Dupont tocou, sendo atendido de imediato:
- Então, há novidades? Perguntou.
- Sim, o nosso homem já se encontrou com os profanadores.
- E? Perguntou Leonel já impaciente.
- Descobriu quem está por detrás de tudo isto. Um tal de Professor Stuart Mall. E, pelos vistos, você não conseguiu fazer o seu “trabalho de casa” em condições.
- O que quer dizer com isto?
- Porque este Stuart Mall é professor na Universidade de Memphis, Instituto de Arqueologia e Arte Egípcia. Você estava encarregue de dirigir a vigilância das actividades exercidas nos centros de investigação histórica da Europa e dos Estados Unidos.
- Eu sempre me queixei de que eram Institutos a mais para vigiar! Não tenho culpa de ter subordinados que se tornam difíceis de controlar!
- Pois, e agora, graças a si, vamos ter de resolver o problema de forma drástica. Forma da qual você é opositor, mas que acaba por a provocar.
-…
- Quanto a este homem, tem ordens para viajar de imediato para os Estados Unidos.

Capítulo III - Parte I

John Pierce aproximava-se do acampamento, após a compra de mantimentos. Quando se estava a aproximar, encontrou uma motorizada estacionada a alguns metros do mesmo, e, estranhando este facto, resolveu estacionar próximo dela, e aproximar-se do acampamento a pé.
Para sua surpresa, quando se encontrava já a poucos metros do acampamento, observou um indivíduo estranho junto à entrada das escavações. Este encontrava-se de costas voltadas para John, dando-lhe a oportunidade de se aproximar-se, por detrás.
Quando se encontrava a escassos metros, parou, ao ouvir distintamente um individuo a falar para algo que se assemelhava a um telefone. Como se encontrava a falar em inglês, John apercebeu-se de toda a conversação.
- Estou, é Rastachin.
-...
- Sim, descobri a pessoa responsável por este acto. Pelo menos é quem assinou o protocolo celebrado com o governo egípcio.
-...
- Chama-se Professor Stuart Mall.
-…
- Segundo estes documentos, encontra-se na Universidade de Memphis, Instituto de Arqueologia e Arte Egípcia.
-…
- Sim, é melhor… Ele deve saber coisas a mais. É uma grande coincidência tê-los enviado para escavar aqui.
- …
- Sim, percebo… sim, vou já tratar disso.

John Pierce conhecia bem o Prof. Stuart Mall. Tinha sido seu aluno no último ano do curso, a uma cadeira de opção, sobre sociedades secretas perdidas nos séculos.
Os seus pensamentos foram interrompidos pelo movimento do indivíduo. Acabava de pôr o telefone no bolso, encontrando-se agora a remexer em algo que estava no solo.
Quando John Pierce viu do que se tratava ficou aterrado.

domingo, 6 de julho de 2008

Capítulo II - V e Última Parte

Chegados ao acampamento, os estagiários dirigiram-se às respectivas tendas, enquanto que Paul dirigiu-se com o polícia egípcio para a “tenda-cozinha”. Esta era maior do que as outras, com uma altura que permitia um homem manter-se de pé, e com uma área que albergava uma mesa e algumas cadeiras e estantes pré-fabricadas de metal. Aí procurou e amontoou toda a papelada sobre o estágio, sob o olhar sinistro e silêncio deste. Se o polícia queria justificações, ele ia-lhe dar tudo o que tinha, e... “obrigá-lo” a lê-la toda, tendo o cuidado de pôr no fim aquilo que procurava, para depois assumir uma expressão de triunfo.
Para seu espanto, o polícia não torceu o nariz quando olhou para o monte de papelada que este lhe apresentou. Muito pelo contrário lia tudo atentamente e registava informações num bloco de notas. Paul ficou desconfiado com tanta eficiência e preocupação por parte do polícia egípcia. Aquilo começava a parecer-lhe exagerado, e, por isso lembrou-se de repente:
- Desculpe, podia mostrar-me a sua identificação?
O policia mostrou um olhar de desagrado e suspirou como se Paul tivesse feito uma pergunta da qual ele tinha receio. Por fim respondeu:
- Com certeza… - Levou a mão ao bolso do uniforme e retirou de lá, não uma carteira, mas... um revólver que apontou a Paul.
- Mas... isto é uma brincadeira? Gritou Paul.
- Não, mas eu posso pô-lo a dançar se você quiser – Disse o falso polícia, com um sorriso maldoso – Basta que você faça alguma menção de fugir ou alertar os outros.
- Afinal o que se passa aqui?
- Digamos que vocês vieram meter o bedelho onde não eram chamados. Agora, arcam com as consequências…
- Hum… há mais alguém interessado em escavar aqui, é isso?
O falso polícia deu uma gargalhada arrepiante, mas sentida.
- Bem, já vi aquilo que tinha para ver na documentação. Você não precisa de saber de nada. Lá para fora, já!
Saíram da “tenda-cozinha” e o polícia mandou Paul caminhar à sua frente, encostando o cano do revólver às suas costas.
- Chame os outros. Diga que está tudo bem e que podem voltar às escavações.
Paul chamou os estagiários e ordenou-lhes, da forma mais natural que conseguiu que voltassem às escavações. Os estagiários não deram por nada de fora do normal e voltaram para o buraco na rocha.
- Agora é a sua vez. Volte para lá.
Paul mais uma vez obedeceu.

Capítulo II - Parte IV

Apesar de gozar com os estagiários por causa do seu entusiasmo, Paul não conseguiu pregar mais o olho naquela madrugada. Ficou a ver os estagiários trabalhar, sob o pretexto de se certificar que eles não danificavam a coluna.
Ouviu alguém aproximar-se nas suas costas, e, pensando tratar-se de John Pierce, perguntou:
- O que trouxeste da cidade? Eu e os rapazes estamos a precisar de uma boa refeição. E quem sabe de champanhe?
Respondeu-lhe uma gargalhada de um estagiário que se encontrava a trabalhar. Tinha o nome de Peter Trown, um rapaz de 25 anos, pouco alto, moreno e de olhos escuros com ar inteligente, que usava óculos que estavam já cobertos de poeira.
- Qual foi a piada? Perguntou Paul asperamente.
- Foi o “eu”, pois o Dr. ainda não mexeu uma palha, para estar a precisar tanto de uma boa refeição.
Paul ia a ripostar, quando leu uma expressão de surpresa no rosto do estagiário. Virou-se e, ao contrário do que esperava não encontrou o rosto familiar de John.
A personagem que acabava de chegar à câmara vestia a indumentária de um oficial da polícia egípcia.
- Bom dia! Disse, em egípcio, com ar arrogante.
- Bom dia! – Respondeu Paul ainda não refeito da surpresa, também em egípcio – O que se passa?
- Estava a patrulhar a zona quando dei de caras com o vosso acampamento. Fiquei surpreso… pelo menos eu não tinha conhecimento da sua existência. Por isso tenho algumas questões… – fez uma pausa e logo a seguir completou, novamente com ar arrogante e agressivo – …como por exemplo...vocês têm licença para se encontrar a escavar no nosso território? – A palavra “escavar” foi dita pelo policia como se este facto o incomodasse particularmente.
- Sim, claro… eu mostro-lhe a autorização… está lá em cima… se não se importa venha comigo ao acampamento que eu mostro-lhe todos os papéis.
- Sim, claro, mas não apenas consigo... todos têm que subir. Enquanto não apurar a legalidade deste acto, não quero o nosso território continue a ser violado por estrangeiros.
- Mas, já lhe disse, está tudo legal! Disse Paul, já irritado.
- Isso é o que vamos ver... ou sobem, ou vão todos já para a esquadra! Eu não estou a brincar! – disse o policia com um ar que, de facto, assustou todos os presentes. Este homem tinha o condão de impor respeito e medo em todos os presentes. Ninguém se atrevia a olhá-lo nos olhos, nem sequer Paul.
- Pronto está bem… nós subimos. Vamos lá rapazes… – Decidiu Paul por fim. Os estagiários subiram atrás de Paul e do polícia egípcio, contrariados… Isto ia atrasar os trabalhos e contribuir para a sua ansiedade.

Capítulo II - Parte III

Após o telefonema, Rastachin levantou-se da cama, dirigiu-se à sua modesta casa-de-banho, entrou na banheira para tomar um duche rápido, sempre a cantar. Uma canção semelhante a uma música lírica mas com sons compridos e agudos. Depois de tomar banho dirigiu-se ao lavatório para fazer a barba. Detestava todo este trabalho, mas de facto o “mestre” tinha razão. O seu disfarce apenas seria convincente deste modo.
Vestiu uma indumentária que iria ser preciosa para a sua missão, e saiu do quarto com um sorriso maldoso nos lábios. O emprego como carteiro que detinha naquela cidade não importava neste dia. Ele tinha um papel muito mais importante, e que lhe dava muito mais prazer a desempenhar. Dirigiu-se, na sua mota, para a saída da cidade, em direcção ao deserto.

Capítulo II - Parte II

O telefone do Prof. Stuart Mall tocou às 6h da manhã, nos Estados Unidos da América. Este era um indivíduo alto e esguio, já com uma idade relativamente avançada, mas que apenas se notava no seu pouco volumoso cabelo grisalho, sendo calvo no centro do crânio. Especialista em geologia, particularmente em minerais, era também professor universitário na Universidade de Memphis, Instituto de Arqueologia e Arte Egípcia.
Acordou na expectativa de que fosse aquilo porque tanto esperava, acendeu o candeeiro e pegou no auscultador. O que ouviu do outro lado teve o efeito de uma injecção de adrenalina, com o seu coração a bater descompassadamente:
- …
- Sim sou eu.
- …
- Já o encontraram?
- …
- Óptimo! Foram mais rápidos do que eu estava à espera. Mas têm que continuar a ser rápidos. Como já te tinha dito, a partir do momento em que encontrarem a câmara o tempo que têm pode não ser muito. Poderão estar em perigo.
- …
- Pensei que tinha avisado. Por favor sejam rápidos.
- …
- Peço desculpa, mas agora não vale a pena preocupares-te com isso. Ou melhor, preocupa-te em que os trabalhos decorram o mais célere possível
- …
- Aventura? Não te ponhas com brincadeiras! Isto é mais sério do que tu pensas.
- …
- Sim, não te esqueças de me avisar de novos desenvolvimentos o mais depressa possível. E, mais uma vez, tem cuidado! – O professor já não foi a tempo… o seu interlocutor interrompeu a ligação antes deste acabar a frase.
O professor Stuart Mall sentiu novamente um “baque” no coração quando ouviu o zumbido característico da chamada interrompida. Pela primeira vez tremeu da cabeça aos pés, e sentiu remorsos, ao pensar naquilo que poderia acontecer no Egipto. E, também pela primeira vez, duvidou do sucesso do seu plano, pondo em causa se os meios que tinha mobilizado valeriam o objectivo final. Será que valeria a pena fazer sacrifícios? Uma lembrança bem vincada na sua memória e no seu peito afastou estes pensamentos, reassumindo a urgência do seu objectivo.

Capítulo II - Parte I

- Isto não pode estar a acontecer pois não? Perguntou ansioso, um dos estagiários ao “Dr. Indiana”.
- Na verdade… foi um choque encontrar algo assim aqui, era a ultima coisa que esperaria – fez uma pausa – mas... após o choque inicial e uma breve reflexão, o facto de “isto” estar aqui pode não ter mistério nenhum. As duas civilizações viveram no mesmo período. Pode ter existido algum facto na sua história que desconhecemos, que justifique “isto”.
“Isto”, eram, nada mais, nada menos, do que duas colunas dóricas originárias do período clássico greco-romano. Estavam semi-descobertas, na parede da câmara em frente. Encontravam-se separadas por alguns metros, e, entre ambas, e estas e as paredes laterais da câmara, a “parede” era irregular, sinal de que teria havido em algum ponto da história uma derrocada de terra que as teria soterrado. Pelo menos, foi o que Paul deduziu.
- De qualquer forma, poderá ser uma descoberta importante não acha? – Insistiu o estagiário.
- Sim, pelos menos é interessante do ponto de vista académico, mesmo que a sua origem possa não ter nada de espectacular. Por isso mesmo recomendo que continuem a pô-las a descoberto, a ver se se descobre mais alguma coisa – e, com um sorriso malicioso, Paul acrescentou – Afinal, é para isso que aqui estão.
- Professor, estive há pouco na tenda-dispensa a fazer o inventário, e concluí que estamos a precisar de mantimentos. Elaborei uma lista daquilo que é necessário comprar. – Disse um estagiário chamado John Pierce, o típico inglês, alto e de cabelos louros e olhos azuis.
- E é muita coisa? – Perguntou Paul.
- Não, não… mas são coisas essenciais… água, pão…
- Então trata de ir sozinho até à cidade mais próxima. É melhor os outros ficarem aqui a trabalhar. Leva o Jipe e não te esqueças de ir buscar o cartão de crédito que nos forneceram.
John Pierce não precisava de ouvir mais nada. Foi buscar o cartão de crédito, pegou nas chaves do jipe e abalou. Encontrava-se agora a conduzir o jipe, a caminho da cidade mais próxima do acampamento. No entanto, enquanto conduzia, olhava constantemente para o seu telemóvel caído no “lugar do morto”. O telemóvel emitia ruídos constantemente devido ao facto de se encontrar à procura de rede. Até que emitiu um ruído que significava “rede encontrada e disponível”. John parou o jipe imediatamente, pegou no telemóvel e fez a ligação.

domingo, 29 de junho de 2008

Capítulo I - V e Última Parte

Num quarto, algures no Egipto, um telefone toca às 4h da manhã. Um quarto simples, apenas mobilado com uma cama e uma mesa-de-cabeceira onde se encontrava o telefone, mergulhado na penumbra da noite. Pilhas de roupa e revistas acumulavam-se no chão desta divisão. Um vulto movimenta-se no escuro e acende uma lâmpada fixada na parede, que revela um indivíduo com a pele queimada pelo sol, de olhos escuros, com várias cicatrizes no rosto, e barba por fazer há já vários dias.
Este atende imediatamente o telefone, sem mostrar sinais de estar aborrecido pela interrupção do seu sono. Antes dir-se-ia que aguardava este telefonema há já algum tempo.
- Estou sim.
- Estou Rastachin?
- Mestre? Nem acredito que o estou a ouvir! Não me diga que...
- Sim, infelizmente aconteceu – Rastachin não parecia lamentá-lo – E você, já sabe o que tem a fazer?
- Sim, vou para lá imediatamente.
- Espere...
- Sim? – Respondeu Rastachin, já impaciente.
- Antes de fazer aquilo para que foi contactado, há algo que tem que fazer antes...

Capítulo I - Parte IV

Leonel DuPont saiu da reunião com o estranho grupo com as ideias mais arrumadas. Havia que tomar decisões com vista a evitar uma autêntica catástrofe, segundo ele e os seus parceiros. Mesmo que estas decisões resultassem também em resultados menos positivos… “os fins justificam os meios”, pensou. Tinha sido convencido desta realidade, apesar de não concordar totalmente com ela… Mas se não havia outra alternativa, que poderia ele fazer?

Capítulo I - Parte III

O Dr. Paul Crones saiu da tenda atrás do estagiário, a pensar já em frases do tipo “desmancha-prazeres”. Sim, porque os rapazes também lhe tinham tirado o “prazer” de um boa noite de sono. Como era natural, estava bastante mais frio do que de dia, e do que no seu confortável saco-cama (apesar de não ser um contentor), o que lhe aumentou ainda mais a má disposição. Ainda por cima, com a pressão do estagiário (e, embora lhe custasse confessar, um pontinha de curiosidade) tinha-se esquecido de calçar algo, e enfrentava agora a gélida areia do deserto, aumentando a cada passo a sua má disposição. Caminhando, viu a abertura na rocha, que vinha sendo efectuada desde há um mês, sem qualquer tipo de surpresas. Rocha, rocha e mais rocha. Areia, areia e mais areia. Estava já enjoado de ver apenas areia. Os momentos mais interessantes eram quando iam à cidade comprar mantimentos, e interagiam com a população local.
Assim, ele não percebia o entusiasmo dos estagiários perante este cenário, a não ser pelo facto de se encontrarem na mística terra do Egipto. “Mas” pensou ele, “depressa irão perceber que a arqueologia não é aquilo que aparece nas histórias mirabolantes do universo do Indiana Jones. As descobertas fabulosas não acontecem todos os dias…”.
Na realidade, também ele tinha sido seduzido por essa ideia, e mais tarde desiludido pela realidade. Talvez tivesse um atenuante: o seu pai tinha falecido quando ele tinha apenas 2 anos. A sua mãe não voltou a casar, e ele “juntou” o facto de não ter um pai, ao facto de ficar todos os dias em casa entregue à televisão, enquanto a sua mãe lutava pela vida. Tinha ficado verdadeiramente fascinado pelo universo daquela personagem, tendo seguido assim, a carreira de arqueólogo, em busca de emoções mais fortes do que as sentidas em desportos radicais.
Paul entrou nas escavações atrás do estagiário, e, embora estivesse com uma disposição pouco recomendável, prestou especial atenção às paredes da escavação para averiguar das suas condições de segurança. Tranquilizado pelo que via, desceu um túnel escavado na rocha até uma pequena câmara escavada recentemente. Observou em redor e viu um grupo de estagiários debruçados sobre uma parede com pincéis nas mãos. Dirigiu-se até eles, afastando-os, ignorando os seus queixumes e olhou para a parede… Mas o que viu foi uma desilusão.
Na parede existia uma reentrância de forma ondulada e esguia, que poderia perfeitamente ter origem em causas naturais, ou poderia ser apenas um fóssil de algum réptil. No entanto, nada de extraordinário.
- Mas vocês são parvos? – Perguntou perante uma assistência com ar divertido. “Mas de que é que eles se estão a rir?” pensou. Uma estagiária respondeu-lhe ao afirmar:
- Professor, o que está à procura está do outro lado daquela passagem – disse, apontando para uma parede no seu lado direito. Paul olhou na direcção que ela apontava e viu uma passagem aberta na rocha, tão perfeita e extraordinariamente larga para ter sido feita em pouco tempo…
Lendo a cara de espanto na face do “Dr. Indiana”, a estagiária acrescentou:
- Não, não fomos nós que abrimos aquela passagem… apenas a localizámos e mal lhe acertámos com a picareta desmoronou-se por completo… mas vá até lá – a rapariga terminou a frase quase comovida.

Paul assim fez, e, atravessando a passagem através da qual via alguns estagiários atarefados, entrou numa nova câmara, larga mas pouco comprida. Os estagiários tinham instalado alguns holofotes que iluminavam algo que se situava no centro. E foi precisamente o que estava no centro, que tirou o fôlego a Paul, porque era algo que ele nunca esperaria encontrar no antigo Egipto.

Capítulo I - Parte II

Leonel DuPont, um homem de meia-idade, já com cabelos e barba grisalhos, Director do Museu do Louvre, em Paris, seguia no seu Peugeot topo de gama, em direcção ao Museu. Algo tinha dado alarme no escritório de sua casa à 1h da manhã. Quando descobriu do que se tratava, os seus piores receios confirmaram-se, e ele nem podia acreditar. Soube imediatamente o que devia fazer: deslocar-se ao Louvre, tal como outros indivíduos o fariam.
Estacionou o automóvel, nas traseiras do edifício e saiu, atravessando a chuva que caía, semelhante ao seu estado de espírito, de nervoso miudinho. Já outros automóveis, seus conhecidos, aí se encontravam.
Entrou no edifício e dirigiu-se mecanicamente (pois a sua mente encontrava-se ocupada a pensar no que ali o trouxera) para uma sala nos bastidores do museu.
Entrou numa sala de grande tamanho, decorada com esculturas e ornamentações de madeira nas paredes, e uma lareira a crepitar na parede do fundo. As esculturas consistiam em formas ondulantes, esguias, parecendo, por um truque de ilusão de óptica, estarem em movimento.
No centro, estava disposta uma enorme mesa, também de madeira, e nela sentados vários indivíduos, onde apenas uma lugar estava disponível: o lugar de DuPont. Estes indivíduos, cuja silhueta era o único traço visível na penumbra da sala, cumprimentaram DuPont numa estranha língua. Cumprimento que este retribui na mesma e estranha língua.

Capítulo I - Parte I

Escuro como breu… apenas uma janela ao fundo deixava entrar a claridade mortiça do luar pelas frestas da persiana. De repente, um ruído de uma porta bater ao fundo. Vozes sussurrantes, uma gargalhada, vozes a sussurrar… de repente um grito!! Visão tremida, uma voz a gritar:
- Dr. Indiana, acorde! Disse uma voz eufórica, ao mesmo tempo que sacudia um homem com cerca de 1,80m, louro, de olhos verdes e com barba de três dias, que estava deitado num saco-cama térmico vermelho, no interior de uma tenda verde. “Outra vez o mesmo sonho.. Raios!!” pensou o “Dr. Indiana”. Aquele sonho perseguia-o desde que detinha consciência. Embora não fosse recorrente, não era um sonho do qual gostasse muito.
- Hum… Larga-me!! Para quê todo esta histeria? Respondeu o “Dr. Indiana”, cujo nome real era Paul Crones, um arqueólogo de 32 anos, sem qualquer tipo de reputação como grande nome da arqueologia. Trabalhava para a Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Vivia já há alguns anos na dúvida de ter escolhido o emprego certo. Paul olhou para fora da tenda. Escuro como breu.
- Encontrámos algo!
- Mas é assim tão importante para me acordarem? – Disse Paul, olhando para o despertador junto ao seu saco-cama, constatando, incrédulo, que eram 3h da manhã. É o lado negativo de se trabalhar com arqueólogos recém-licenciados de 24 anos. Tudo era uma novidade para eles, que viviam na ânsia de encontrar algo importante, trabalhando, por turnos, de noite e de dia (apesar das baixas temperatura sentidas naquela região à noite) à revelia de Paul.
- Se lhe dissesse que encontrámos aqui, a poucos quilómetros do vale das rainhas – Encontravam-se, de facto, em pleno Egipto, num estágio de fim de curso organizado por várias universidades inglesas e americanas. Paul tinha sido requisitado para o monitorizar sozinho, e, apesar das suas queixas relativamente a este facto, e das condições em que trabalhavam não serem as ideais (preferia a instalação de contentores próprios para o alojamento, à semelhança de outras equipas, em vez das tendas onde dormiam) não tinha recusado o convite. “Afinal não é todos os dias que somos convidados para uma viagem ao Egipto com tudo pago” pensou – vestígios que nada têm a ver com o antigo Egipto, o que me diria?
- Que vocês, principiantes, excitam-se muito, por, provavelmente, algo que algum turista perdeu numa visita.
- Quando o Dr. ver do que se trata, vai ficar tão eufórico quanto nós!