quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Capítulo VII - Parte II

O tempo parecia correr devagar na sala onde o Prof. Ronald Van Duyn se encontrava em cativeiro. Aguardava a todo o momento um contacto do Egipto sob o olhar vigilante de Kevin. Leonel tinha-se ausentado para outra divisão da casa. No entanto, quando telefone começou a tocar, regressou rapidamente para o entregar a Ronald.
- É o teu pupilo… Deve ter novidades! – Comentou Leonel, passando o telefone para as mãos deste, tendo o cuidado de ligar antes um aparelho ao qual o telefone se encontrava ligado, e que reproduziria o som do interlocutor.
- Estou?
- Estou professor… Sou eu!
- Sim eu já percebi. Tens novidades?
- Sim, vamos para a Grécia…
- O quê? O que vão lá fazer?
- Ter com uma especialista na língua grega… Dra. Melissa Otis. Não conseguimos mesmo decifrar os caracteres. – Esta declaração deixou Leonel mais aliviado… mas por outro lado preocupado devido à especialista. Começou a escrever algo numa folha de papel.
- … e como é óbvio não disponho da quantia necessária para viajar também.
- Quanto a isso não há problema… Eu transfiro dinheiro que precisares para a tua conta. O importante é que acompanhes a descoberta do século. – Neste momento Leonel mostra o papel a Ronald.
- Olha… Quando é o voo? – Perguntou Ronald, lendo o que Leonel tinha escrito no papel.
- Ainda não sei… Só queria ter a certeza que teria dinheiro para viajar… Mas convém que a transferência seja o mais rápido possível… Agora tenho que ir. Depois telefono a dizer quando é o voo.
- Ok, adeus…
Leonel não estava satisfeito. Ronald tinha-se comprometido com o seu pupilo a fazer a transferência bancária. Quando o telefonema acabou demonstrou-lhe isto mesmo.
- Se calhar preferia que eu lhe dissesse que não? Assim ficaria desconfiado.
- Não importa! Esse assunto irá ficar resolvido no aeroporto! E se ele não lá tivesse seria menos uma possível vítima, se as coisas correrem mal! Isso só demonstra o teu egoísmo e egocentrismo.
- E vocês? Que os querem manter ignorantes, sem conhecerem a verdade? Desafiou Ronald.

Capítulo VII - Parte I

- Então? Perguntaram os estagiários, a morrer de curiosidade.
- Falei com o meu colega, e ele sugeriu que recorrêssemos a uma especialista na língua grega… Uma tal de Dra. Melissa Otis. O problema é que ela se encontra… na Grécia.
- Então e agora? Perguntou John Pierce.
- Como é óbvio, irei contactar as vossas universidades a revelar o sucedido e pedir o fim do estágio, ou então a minha substituição.
- Não podemos ir consigo para a Grécia? Afinal fomos nós quem fez a descoberta… Arriscou uma estagiária.
- Não sei. O problema é que a vossa bolsa de estágio não cobrirá obviamente as deslocações à Grécia. Para além disso… vocês vieram para aqui com tudo pago… Logo a descoberta que realizaram pertence à universidade. – Respondeu com um sorriso irónico.
- Pois sim… E a si também, como único representante presente! – Respondeu-lhe Peter Trown. – Pois bem… eu não vou deixar isso acontecer. Eu também vou… mesmo que seja às minhas custas.
- Ok, ok… Eu só estava a brincar com vocês. Não sou eu que te vou impedir. Penso que qualquer um de vós, desde que disponha dos meios para tal, pode vir comigo.

Capítulo VI - II e Última Parte

- Não é possível! Que raio se passa aqui? Desabafou Paul num turbilhão de emoções. Encontrava-se simultaneamente em estado de choque, euforia, irritação… Os quatro conjuntos de hieróglifos nas quatro colunas dóricas encontravam-se já totalmente a descoberto, tendo sido já traduzidos por Paul.

No entanto, e após algumas tentativas falhadas para lhes dar sentido e coerência pareciam ter chegado a uma solução consensual. Mas, ao contrário do que esperavam, esta não lhes suscitava nenhuma explicação para o estranho cenário em que se encontravam. Muito pelo contrário, piorava ainda mais este enigma… através de um enigma propriamente dito.
Paul e os estagiários olhavam estupefactos para o pedaço de papel onde tinham escrito a tradução final:

AQUI JAZ A VERDADE, MAS PARA A CONHECERES,
TERÀS QUE SER BOM, FRATERNO E RECONHECER
A LIBERDADE. SÓ ASSIM SERÁS GRATO POR
AQUILO QUE TE É REVELADO.

- O que raio quer isto dizer? – Interrogou-se novamente Paul. Detestava enigmas deste tipo, preferindo aqueles mais relacionados com a sua profissão, como por exemplo, descobrir como um determinado indivíduos teria vivido ou morrido.
- O que fazemos agora? – Perguntou Peter Trown.
- Não sei... Vou telefonar para um colega na Universidade de Cambridge a pedir aconselhamento... Não era suposto isto acontecer num programa de estágio. – Respondeu com um sorriso amarelo.
Mal Paul saiu para o acampamento, Peter Trown comentou com os colegas:
- Como é possível mandarem-nos esta nulidade como orientador!!! Nem sequer nos disse o que fazer na sua ausência...
- Continuamos a trabalhar? – Perguntou John.
- Não, façamos uma pausa, também temos direito... e parece-me que não vamos encontrar muito mais aqui em baixo... Parece terminar aqui, na câmara... – Respondeu Peter.
Paul chegou ao acampamento e pegou no telefone por satélite de que dispunham e ligou para directamente para o telefone do colega.
- Estou sim...
- Estou, é Paul...
- Ah! Olá, como está a correr o estágio? Os miúdos estão-se a portar bem? Perguntou-lhe o colega, com tom trocista.
- Goza, goza... Asseguro-te que neste momento gostarias de aqui estar...
- Ah sim? O que se passa?
- O que dirias se te dissesse que fizemos uma descoberta extraordinária, que pode mudar muito do que sabemos sobre o mundo antigo?
- Explica-te...
- Encontrámos nas escavações uma câmara enterrada constituída em volta por quatro colunas dóricas, com um pedestal no centro, no qual está disposto um manuscrito, aparentemente escrito em grego, mas no qual a ordem dos caracteres não parece fazer sentido...
- Espera, não percebi... vocês estão no Egipto e encontraram vestígios... gregos?
- Sim, e como se isso não bastasse, as colunas contêm hieróglifos! – Paul não poderia estar mais divertido e orgulhoso neste momento depois do gozo do colega.
- Hieróglifos... eu devo estar a sonhar! E ao menos percebes o que dizem?
- Sim, parece uma espécie de enigma... mas não consigo adiantar mais do que isso... – Não queria abrir muito o jogo. Se havia alguma descoberta para fazer seria ele. Já se imaginava no seu momento de glória.
- Bem, infelizmente (suspiro) … eu agora também não posso ir para aí... mas recomendo-te uma especialista na língua grega... Investiga as suas origens. Talvez te possa ajudar. Encontra-se em Atenas.
- Bem, ela deve ser grega, portanto deve conhecer a língua grega como ninguém... – gracejou Paul – Mas, espera... ela fala inglês, certo?
- Sim, ela chama-se Melissa Otis e, pelo que sei, é filha de mãe americana e pai grego... logo fala inglês correctamente.
- Óptimo... dá-me a morada...
- Ok, vou avisá-la da tua chegada...

Capítulo VI - Parte I

- O quê? Não acredito! Têm a certeza que não se enganaram no número? Pergunta Leonel Pront ao seu interlocutor no telemóvel.
-…
- Mas porquê que isto está tudo a correr tão mal?
- Pois… Ainda não te contei o que significa o “tudo”. Acabei de testemunhar o ressuscitar de um traidor!
-…
- O nosso Professor Stuart Mall é na realidade… Ronald Van Duyn! Respondeu Leonel a custo.
Leonel respondeu com o verbo “ser” no presente porque na realidade ele ainda existia. O som agudo que ecoou pela sala tinha sido o toque do telemóvel de Leonel.
- Não consigo compreender como és a pessoa mais sortuda deste mundo! Disparou Leonel com um pontapé numa cadeira próxima, após o fim da comunicação.
- É muito simples… Sou um predestinado porque comigo está a razão e aquilo que deve ser feito. Mas diz-me… Tens boas notícias do Egipto? Perguntou Ronald, em tom de gozo e desafio.
- Os teus enviados continuam vivos… Infelizmente isso significa que tu também, contando que tenhas maneira de comunicar com eles.
- Claro, claro… Agora não podem levantar mais alarido não é verdade? Ou o vosso segredo é descoberto rapidamente. Vão tentar obter os manuscritos o mais depressa possível, sem agitar muito as águas não é verdade? Pois por enquanto o que eles contêm ainda está protegido. Por enquanto… Ah! Ah! Ah!
- Maldito! Mas nós não somos os únicos em vias de perder a batalha. Não te esqueças que estás nas nossas mãos. – Respondeu-lhe Leonel com ironia – Vais fazer imediatamente uma chamada para o teu esbirro no Egipto.
Kevin ausentou-se da sala por alguns momentos, regressando depois com um telefone, que entregou a Leonel.
- O número? – Perguntou este a Ronald.
- Achas mesmo que eu to vou dar? Dá-me o telefone e farei a ligação… apagando depois o registo claro. Mas não te preocupes… eu também quero saber novidades – Respondeu com ar irónico.
Leonel entregou-lhe o aparelho… Decerto não tentaria nada contra ele e Kevin. Leonel fez a marcação. Quem quer que fosse ainda demorou algum tempo a atender. Leonel aproveitou para encostar também o seu ouvido ao altifalante do aparelho.
-…
- Sou eu, Stuart.
-…
- Sim, estou a telefonar de um número diferente. Eu depois explico-te. Como estão as coisas a correr?
- Ah! Então eu tive sorte em apanhar-te. Mas o que se passa? Pareces eufórico?
-…
- Grandes progressos! – Respondeu agora também eufórico. Leonel, ao seu lado, era a sua antítese completa, com o rosto a demonstrar um misto de zanga e preocupação. Faz sinal a Ronald para a terminar a ligação, receando de certo que este falasse de mais.
- Bem tenho que ir… Se precisares de falar comigo liga para este número …

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Capítulo V - III e Última Parte

Yφα υχουπζωπ σ ωξσρυπω ωξξω μω λυθυπυ κζπ, ρω ιθυιυπ μω υπμωπ οωξσ, ωφυξδποκη οωπ ωμωχμαθπτκεμ ζσμ υξυερυθπω. Nκμκ ζκζυ, ρω ηωη υπνωηζυ υεχμανκμυη χπω κηω ωικοωξεβυ ηυ υηωη.

Paul estava estupefacto com a situação. De facto, todas as tentativas que efectuou para tentar perceber o que estava escrito nos manuscritos foram goradas. Entretanto, alguns estudantes tinham começado a limpar a poeira e terra de uma das colunas dóricas. Paul ouve de repente um dos estudantes emitir uma exclamação surda.
- O que se passa? Pergunta.
- Não posso acreditar!
Paul desloca-se para junto deste, e olhando para a coluna, fica siderado. Por baixo da poeira que ainda revestia a maior parte da coluna eram visível algo que nunca esperaria encontrar numa coluna dórica.
“Hieróglifos! Numa coluna dórica! Isto parece cada vez mais a Twilight Zone” Pensou, estupefacto. Tentou ler os enigmáticos caracteres, e, ao contrário do que se passava com os caracteres gregos, estes não impuseram qualquer problema. No entanto, quando terminou de os decifrar, não queria acreditar na sua própria tradução, pondo também a hipótese de estes se encontrarem “baralhados” tal como os gregos.
- Quero toda a gente a trabalhar imediatamente nas colunas! Ponham-nas todas a descoberto, retirem a poeira e a terra que as cobrem! Ordenou. Precisava de saber imediatamente se as palavras juntas teriam coerência.

Capítulo V - Parte II

O professor Stuart Mall despertou, sentindo-se ainda zonzo e mal disposto. Pouco a pouco os seus sentidos retomaram o seu funcionamento normal e Stuart lembrou-se então do que se tinha passado. “Isto não pode estar a acontecer... Não agora… Como pude ser tão ingénuo? Como é que eles me encontraram tão depressa? Como será que estão as coisas no Egipto?”. De repente recupera a visão e o que vê arrepia-o. Encontrava-se amarrado a uma cadeira numa sala de uma casa ricamente mobilada, com uma lareira a crepitar ao fundo. Junto a esta encontrava-se Kevin Reynolds.
- O que se passa aqui? O que quer de mim? Perguntou Stuart.
Kevin nada responde. Um ruído no exterior chamou a atenção de Kevin. Alguém estava a chegar de automóvel. O som do automóvel pára. Ouve-se a porta deste abrir e a fechar. Passos na gravilha. Uma porta a abrir e fechar. Cada vez mais próximo. O coração de Stuart parece dar pulos no seu peito em sintonia com todos estes ruídos. Finalmente, a porta da sala onde se encontra Stuart abre-se, levando este a suster a respiração. Quando o indivíduo entrou, Stuart ia sofrendo uma apoplexia. Curiosamente, o mesmo se passou com aquele.
- Tu??? – O individuo era Leonel Dupont, que assim que viu Stuart ficou branco com a cal, parecendo que tinha acabado de ver um fantasma. Cambaleou com a surpresa. De facto por um momento deve ter pensado que tinha um fantasma à sua frente pois, após se ter recomposto, disse:
- Tu estás vivo! Como é possível?
- Eu não morro enquanto não atingir o meu objectivo. É o meu destino! Respondeu Stuart, rispidamente.
- És louco, completamente louco!
- Meu caro, vocês estão cegos, completamente cegos! A vossa causa não tem sentido! Eles têm de saber a verdade!
- O teu passado é que te cega a ti! - Ripostou Leonel – Vejo que continuas com as mesmas intenções loucas e delirantes. Só dou graças por termos conseguido reagir a tempo. – Esta última frase desmoralizou Stuart.
- Admira-me como é que te atreveste a mudar o nome, em que tanto orgulho depositas, por um tão normal e vulgar como Stuart Mall – continuou Leonel.
- Há sacrifícios que têm de ser feitos, para atingir os objectivos a que me propus. O fim da ignorância vale tudo. Mas já agora, se vais acabar comigo, algo que é ridículo, dado acredito que o que pus em marcha não vai parar, faz-me um último favor. Não pretendo morrer como Stuart Mall… deixa que nos livros de história, porque eu estou a fazer história, que seja reconhecido com o meu nome de sangue.
- Não sei como sobreviveste, Ronald Van Duyn, mas não vais estar vivo por muito mais tempo... nem fazer história… Pelos vistos contínuas com as mesmas intenções, após todos estes anos.
- Acredito que aquilo que estou a fazer é o mais correcto. – Respondeu rispidamente Ronald.
- Seja como for, não viverás o suficiente para presenciar aquilo a que pretendes dar origem... Apesar de ser contra esta forma de resolver os problemas, “há sacrifícios que têm de ser feitos” – ironizou – Tu és demasiado perigoso para se ter misericórdia. Kevin, podes fechar o assunto.
O professor Ronald van Duyn vê Kevin Reynolds retirar um revólver do bolso... “Isto não pode acabar assim. A minha luta não pode acabar assim... Todo este esforço... para nada...” Kevin aproxima-se... encosta o revólver à nuca do professor... e um som ecoa pela sala.

Capítulo V - Parte I

- Ninguém os consegue ler… – Disse uma voz atrás de Paul que ele identificou como sendo de Peter Trown. De facto, em cima do altar que Paul tinha à sua frente encontrava-se uma pilha de manuscritos.
- Espero que ninguém os tenha tocado!!! Interrompeu Paul.
- Sim, a tentação foi muito grande, mas não tocámos, apenas olhámos e… – O inicio da frase fez Paul sentir-se aliviado, para o fim o sobressaltar com o “e”…
- E?
- E… ninguém os consegue ler… parecem estar escritos em grego, mas… não faz muito sentido… a disposição dos caracteres não faz muito sentido…
- Bem, eu já vou ver isso – Paul sentiu-se mais aliviado e, como de costume, subestimou os estagiários, concluindo que estes não deviam ter tido grandes notas a Grego.
- Mas professor, o polícia está lá em cima…
- Pois é… ajudem-no naquilo que ele precisar…
- Nós já o fizemos… ele já recolheu as impressões digitais, mas precisa de falar consigo… e tem claustrofobia, por isso recusa-se a entrar nas escavações – A ultima parte da frase foi dita quase num sorriso.
- Muito bem, então vamos lá ter com ele – Respondeu Paul também com um sorriso estampado no rosto. No entanto, Paul abandonou a câmara contrariado. As suas emoções cada vez eram mais difíceis de controlar.
Encontraram o polícia à entrada da escavação, a observar as paredes de rocha com alguma atenção.
- Está à procura de provas?
- Não, apenas a confirmar uma suspeita… Para além de ser policia, tenho como hobby a geologia… Sou licenciado em geologia. Infelizmente não tive oportunidade de prosseguir carreira. Bem, parece-me que o criminoso apenas pretendia provocar uma pequena derrocada à entrada… de modo a vos fechar no interior da escavação. A explosão não seria grande o suficiente para provocar o desmoronamento de toda a escavação.
“Se ele não tencionava destruir toda a escavação, é porque, realmente sabia o que aqui está, e que isto, o que quer que seja, poderá ter algum significado” pensou, sonhando já com o reconhecimento que sempre desejou desde que enveredou pela carreira de arqueólogo.
- Bem, vou voltar para a esquadra… Quando tiver mais informações entro em contacto consigo…
- Espere, seria possível ter alguém connosco a vigiar as escavações? Depois disto temos receio pelo que possa suceder – Perguntou John a Paul.
- Sim tens razão – Respondeu Paul, interrogando de seguida o policia.
- Vou ver o que posso fazer. Esta esquadra não tem competências nem meios para tal.
Dito isto, o polícia abandona as escavações em direcção ao seu veículo. Paul entra novamente nas escavações, seguido de um grupo de alunos. Volta a entrar na câmara, observando mais de perto a pilha de manuscritos: Notava-se a sua antiguidade, por alguma descoloração, mas, ao mesmo, impressionava o seu estado de conservação, sendo possível distinguir quase todos os caracteres.
E foram estes que deixaram Paul perplexo. Tal como os estagiários tinham afirmado, embora os caracteres se parecessem com os do grego antigo, a sua organização não fazia qualquer sentido.