terça-feira, 15 de julho de 2008

Capítulo III - IV e Última Parte

- John!!! Exclamaram os seus colegas quando este apareceu vindo do túnel de acesso à câmara.
- Mas que raio é que se passou aqui? Encontrei um indivíduo lá em cima prestes a enterrá-los vivos! Respondeu.
- Onde é que ele está? Perguntou Paul.
- Lá em cima, de pés e mãos amarrados.
- Só pode ser um louco! Exclamou uma rapariga loira, de olhos azuis. E tu salvaste-nos!!! És o nosso herói!
- O que passou lá fora?
- Bem, eu estava a chegar depois da compra de mantimentos, e encontrei uma motorizada estacionada ainda a uma certa distância do acampamento. Como achei estranho, resolvi estacionar o jipe ali, e vir a pé até ao acampamento. Quando estava a chegar, encontrei este indivíduo à entrada das escavações. Aproximei-me por detrás dele e verifiquei que estava a falar para algo parecido com um telefone.
- E... o que dizia ele? Perguntou Peter Trown.
- Disse para quem o ouvia, que o responsável por um acto qualquer, era o Professor Stuart Mall.
- Stuart Mall? O professor que nos deu aquela cadeira engraçada sobre sociedades secretas? Perguntou a rapariga dos olhos azuis.
- Provavelmente. Respondeu John.
- Então e depois?
- Depois é muito simples. Como vi que ele se preparava para vos fazer ir pelos ares, fui buscar uma pá ao jipe, e dei-lhe com ela.
Nada podia agradar mais a John do que ser o herói do dia, mas Paul interrompeu o seu momento de glória.
- Temos de o apresentar às autoridades o mais depressa possível. E vou ver se consigo algum tipo de vigilância para o acampamento. John, vem comigo! Tens de contar tudo o que se passou lá fora!
- Ok, ok, mas... vamos deixar o pessoal aqui sozinho depois do que se passou?
- Boa observação, mas... eu já tinha pensado nisso – replicou Paul, com um sorriso malicioso – Não quero toda a gente aqui dentro enquanto não voltarmos da cidade! Organizem-se em turnos de vigia de 3 ou 4 pessoas. Estejam muito atentos a tudo o que se passa à vossa volta. Ah, e não quero ninguém a remexer nos explosivos e detonador. Podem conter as impressões digitais deste criminoso.
Paul e John dirigiram-se de seguida para o jipe, carregando o falso policia até ao jipe, arrancando de seguida em direcção à cidade.

Capítulo III - Parte III

Aquilo em que John Pierce viu o desconhecido mexer eram explosivos conectados a um detonador que se situava recuado dezenas de metro destes. John percebeu imediatamente a intenção. Os seus companheiros iam morrer soterrados!
Resolveu então tomar uma atitude. Apressou-se a regressar ao jipe e abriu a bagageira. Ficou ainda mais aflito, ao constatar a quantidade de material que aí se encontrava. Começou a retirar tudo para fora, procurando algo que lhe servisse de arma, até que encontrou uma pá utilizada nas escavações.
Regressou apressadamente ao local do acampamento, mas… já não viu o indivíduo! Os explosivos encontravam-se no mesmo sitio, mas este e o detonador não! Olhou em volta apressadamente… sendo bafejado pela sorte, pois a lua foi descoberta pelas nuvens, possibilitando-lhe ver até uma maior distância. Nesse momento, avistou o indivíduo um pouco mais longe. As hipóteses de se conseguir aproximar antes da detonação eram poucas, apercebeu-se cada vez mais aflito. Não obstante, resolveu aproximar-se do indivíduo por detrás, o que o faria ter que percorrer uma maior distância dado que ia ter de o fazer para que este não se apercebe-se. O tempo que demorou a percorrer essa distância pareceu-lhe interminável. Quando se aproximou mais do indivíduo, reduziu o passo, e, aproximou-se lentamente, levantou a pá e... desferiu-lhe uma pancada mesmo em cheio na nuca.
O indivíduo deu um uivo de dor e caiu por terra inanimado.
Acto contínuo, John dirigiu-se rapidamente à tenda principal trazendo consigo de volta uma corda, com que amarrou as mãos e os pés do indivíduo.
Só depois de ter a certeza que os nós estavam bem apertados é que o jovem estudante se dirigiu para o local das escavações.

Capítulo III - Parte II

O telemóvel de Leonel Dupont tocou, sendo atendido de imediato:
- Então, há novidades? Perguntou.
- Sim, o nosso homem já se encontrou com os profanadores.
- E? Perguntou Leonel já impaciente.
- Descobriu quem está por detrás de tudo isto. Um tal de Professor Stuart Mall. E, pelos vistos, você não conseguiu fazer o seu “trabalho de casa” em condições.
- O que quer dizer com isto?
- Porque este Stuart Mall é professor na Universidade de Memphis, Instituto de Arqueologia e Arte Egípcia. Você estava encarregue de dirigir a vigilância das actividades exercidas nos centros de investigação histórica da Europa e dos Estados Unidos.
- Eu sempre me queixei de que eram Institutos a mais para vigiar! Não tenho culpa de ter subordinados que se tornam difíceis de controlar!
- Pois, e agora, graças a si, vamos ter de resolver o problema de forma drástica. Forma da qual você é opositor, mas que acaba por a provocar.
-…
- Quanto a este homem, tem ordens para viajar de imediato para os Estados Unidos.

Capítulo III - Parte I

John Pierce aproximava-se do acampamento, após a compra de mantimentos. Quando se estava a aproximar, encontrou uma motorizada estacionada a alguns metros do mesmo, e, estranhando este facto, resolveu estacionar próximo dela, e aproximar-se do acampamento a pé.
Para sua surpresa, quando se encontrava já a poucos metros do acampamento, observou um indivíduo estranho junto à entrada das escavações. Este encontrava-se de costas voltadas para John, dando-lhe a oportunidade de se aproximar-se, por detrás.
Quando se encontrava a escassos metros, parou, ao ouvir distintamente um individuo a falar para algo que se assemelhava a um telefone. Como se encontrava a falar em inglês, John apercebeu-se de toda a conversação.
- Estou, é Rastachin.
-...
- Sim, descobri a pessoa responsável por este acto. Pelo menos é quem assinou o protocolo celebrado com o governo egípcio.
-...
- Chama-se Professor Stuart Mall.
-…
- Segundo estes documentos, encontra-se na Universidade de Memphis, Instituto de Arqueologia e Arte Egípcia.
-…
- Sim, é melhor… Ele deve saber coisas a mais. É uma grande coincidência tê-los enviado para escavar aqui.
- …
- Sim, percebo… sim, vou já tratar disso.

John Pierce conhecia bem o Prof. Stuart Mall. Tinha sido seu aluno no último ano do curso, a uma cadeira de opção, sobre sociedades secretas perdidas nos séculos.
Os seus pensamentos foram interrompidos pelo movimento do indivíduo. Acabava de pôr o telefone no bolso, encontrando-se agora a remexer em algo que estava no solo.
Quando John Pierce viu do que se tratava ficou aterrado.

domingo, 6 de julho de 2008

Capítulo II - V e Última Parte

Chegados ao acampamento, os estagiários dirigiram-se às respectivas tendas, enquanto que Paul dirigiu-se com o polícia egípcio para a “tenda-cozinha”. Esta era maior do que as outras, com uma altura que permitia um homem manter-se de pé, e com uma área que albergava uma mesa e algumas cadeiras e estantes pré-fabricadas de metal. Aí procurou e amontoou toda a papelada sobre o estágio, sob o olhar sinistro e silêncio deste. Se o polícia queria justificações, ele ia-lhe dar tudo o que tinha, e... “obrigá-lo” a lê-la toda, tendo o cuidado de pôr no fim aquilo que procurava, para depois assumir uma expressão de triunfo.
Para seu espanto, o polícia não torceu o nariz quando olhou para o monte de papelada que este lhe apresentou. Muito pelo contrário lia tudo atentamente e registava informações num bloco de notas. Paul ficou desconfiado com tanta eficiência e preocupação por parte do polícia egípcia. Aquilo começava a parecer-lhe exagerado, e, por isso lembrou-se de repente:
- Desculpe, podia mostrar-me a sua identificação?
O policia mostrou um olhar de desagrado e suspirou como se Paul tivesse feito uma pergunta da qual ele tinha receio. Por fim respondeu:
- Com certeza… - Levou a mão ao bolso do uniforme e retirou de lá, não uma carteira, mas... um revólver que apontou a Paul.
- Mas... isto é uma brincadeira? Gritou Paul.
- Não, mas eu posso pô-lo a dançar se você quiser – Disse o falso polícia, com um sorriso maldoso – Basta que você faça alguma menção de fugir ou alertar os outros.
- Afinal o que se passa aqui?
- Digamos que vocês vieram meter o bedelho onde não eram chamados. Agora, arcam com as consequências…
- Hum… há mais alguém interessado em escavar aqui, é isso?
O falso polícia deu uma gargalhada arrepiante, mas sentida.
- Bem, já vi aquilo que tinha para ver na documentação. Você não precisa de saber de nada. Lá para fora, já!
Saíram da “tenda-cozinha” e o polícia mandou Paul caminhar à sua frente, encostando o cano do revólver às suas costas.
- Chame os outros. Diga que está tudo bem e que podem voltar às escavações.
Paul chamou os estagiários e ordenou-lhes, da forma mais natural que conseguiu que voltassem às escavações. Os estagiários não deram por nada de fora do normal e voltaram para o buraco na rocha.
- Agora é a sua vez. Volte para lá.
Paul mais uma vez obedeceu.

Capítulo II - Parte IV

Apesar de gozar com os estagiários por causa do seu entusiasmo, Paul não conseguiu pregar mais o olho naquela madrugada. Ficou a ver os estagiários trabalhar, sob o pretexto de se certificar que eles não danificavam a coluna.
Ouviu alguém aproximar-se nas suas costas, e, pensando tratar-se de John Pierce, perguntou:
- O que trouxeste da cidade? Eu e os rapazes estamos a precisar de uma boa refeição. E quem sabe de champanhe?
Respondeu-lhe uma gargalhada de um estagiário que se encontrava a trabalhar. Tinha o nome de Peter Trown, um rapaz de 25 anos, pouco alto, moreno e de olhos escuros com ar inteligente, que usava óculos que estavam já cobertos de poeira.
- Qual foi a piada? Perguntou Paul asperamente.
- Foi o “eu”, pois o Dr. ainda não mexeu uma palha, para estar a precisar tanto de uma boa refeição.
Paul ia a ripostar, quando leu uma expressão de surpresa no rosto do estagiário. Virou-se e, ao contrário do que esperava não encontrou o rosto familiar de John.
A personagem que acabava de chegar à câmara vestia a indumentária de um oficial da polícia egípcia.
- Bom dia! Disse, em egípcio, com ar arrogante.
- Bom dia! – Respondeu Paul ainda não refeito da surpresa, também em egípcio – O que se passa?
- Estava a patrulhar a zona quando dei de caras com o vosso acampamento. Fiquei surpreso… pelo menos eu não tinha conhecimento da sua existência. Por isso tenho algumas questões… – fez uma pausa e logo a seguir completou, novamente com ar arrogante e agressivo – …como por exemplo...vocês têm licença para se encontrar a escavar no nosso território? – A palavra “escavar” foi dita pelo policia como se este facto o incomodasse particularmente.
- Sim, claro… eu mostro-lhe a autorização… está lá em cima… se não se importa venha comigo ao acampamento que eu mostro-lhe todos os papéis.
- Sim, claro, mas não apenas consigo... todos têm que subir. Enquanto não apurar a legalidade deste acto, não quero o nosso território continue a ser violado por estrangeiros.
- Mas, já lhe disse, está tudo legal! Disse Paul, já irritado.
- Isso é o que vamos ver... ou sobem, ou vão todos já para a esquadra! Eu não estou a brincar! – disse o policia com um ar que, de facto, assustou todos os presentes. Este homem tinha o condão de impor respeito e medo em todos os presentes. Ninguém se atrevia a olhá-lo nos olhos, nem sequer Paul.
- Pronto está bem… nós subimos. Vamos lá rapazes… – Decidiu Paul por fim. Os estagiários subiram atrás de Paul e do polícia egípcio, contrariados… Isto ia atrasar os trabalhos e contribuir para a sua ansiedade.

Capítulo II - Parte III

Após o telefonema, Rastachin levantou-se da cama, dirigiu-se à sua modesta casa-de-banho, entrou na banheira para tomar um duche rápido, sempre a cantar. Uma canção semelhante a uma música lírica mas com sons compridos e agudos. Depois de tomar banho dirigiu-se ao lavatório para fazer a barba. Detestava todo este trabalho, mas de facto o “mestre” tinha razão. O seu disfarce apenas seria convincente deste modo.
Vestiu uma indumentária que iria ser preciosa para a sua missão, e saiu do quarto com um sorriso maldoso nos lábios. O emprego como carteiro que detinha naquela cidade não importava neste dia. Ele tinha um papel muito mais importante, e que lhe dava muito mais prazer a desempenhar. Dirigiu-se, na sua mota, para a saída da cidade, em direcção ao deserto.

Capítulo II - Parte II

O telefone do Prof. Stuart Mall tocou às 6h da manhã, nos Estados Unidos da América. Este era um indivíduo alto e esguio, já com uma idade relativamente avançada, mas que apenas se notava no seu pouco volumoso cabelo grisalho, sendo calvo no centro do crânio. Especialista em geologia, particularmente em minerais, era também professor universitário na Universidade de Memphis, Instituto de Arqueologia e Arte Egípcia.
Acordou na expectativa de que fosse aquilo porque tanto esperava, acendeu o candeeiro e pegou no auscultador. O que ouviu do outro lado teve o efeito de uma injecção de adrenalina, com o seu coração a bater descompassadamente:
- …
- Sim sou eu.
- …
- Já o encontraram?
- …
- Óptimo! Foram mais rápidos do que eu estava à espera. Mas têm que continuar a ser rápidos. Como já te tinha dito, a partir do momento em que encontrarem a câmara o tempo que têm pode não ser muito. Poderão estar em perigo.
- …
- Pensei que tinha avisado. Por favor sejam rápidos.
- …
- Peço desculpa, mas agora não vale a pena preocupares-te com isso. Ou melhor, preocupa-te em que os trabalhos decorram o mais célere possível
- …
- Aventura? Não te ponhas com brincadeiras! Isto é mais sério do que tu pensas.
- …
- Sim, não te esqueças de me avisar de novos desenvolvimentos o mais depressa possível. E, mais uma vez, tem cuidado! – O professor já não foi a tempo… o seu interlocutor interrompeu a ligação antes deste acabar a frase.
O professor Stuart Mall sentiu novamente um “baque” no coração quando ouviu o zumbido característico da chamada interrompida. Pela primeira vez tremeu da cabeça aos pés, e sentiu remorsos, ao pensar naquilo que poderia acontecer no Egipto. E, também pela primeira vez, duvidou do sucesso do seu plano, pondo em causa se os meios que tinha mobilizado valeriam o objectivo final. Será que valeria a pena fazer sacrifícios? Uma lembrança bem vincada na sua memória e no seu peito afastou estes pensamentos, reassumindo a urgência do seu objectivo.

Capítulo II - Parte I

- Isto não pode estar a acontecer pois não? Perguntou ansioso, um dos estagiários ao “Dr. Indiana”.
- Na verdade… foi um choque encontrar algo assim aqui, era a ultima coisa que esperaria – fez uma pausa – mas... após o choque inicial e uma breve reflexão, o facto de “isto” estar aqui pode não ter mistério nenhum. As duas civilizações viveram no mesmo período. Pode ter existido algum facto na sua história que desconhecemos, que justifique “isto”.
“Isto”, eram, nada mais, nada menos, do que duas colunas dóricas originárias do período clássico greco-romano. Estavam semi-descobertas, na parede da câmara em frente. Encontravam-se separadas por alguns metros, e, entre ambas, e estas e as paredes laterais da câmara, a “parede” era irregular, sinal de que teria havido em algum ponto da história uma derrocada de terra que as teria soterrado. Pelo menos, foi o que Paul deduziu.
- De qualquer forma, poderá ser uma descoberta importante não acha? – Insistiu o estagiário.
- Sim, pelos menos é interessante do ponto de vista académico, mesmo que a sua origem possa não ter nada de espectacular. Por isso mesmo recomendo que continuem a pô-las a descoberto, a ver se se descobre mais alguma coisa – e, com um sorriso malicioso, Paul acrescentou – Afinal, é para isso que aqui estão.
- Professor, estive há pouco na tenda-dispensa a fazer o inventário, e concluí que estamos a precisar de mantimentos. Elaborei uma lista daquilo que é necessário comprar. – Disse um estagiário chamado John Pierce, o típico inglês, alto e de cabelos louros e olhos azuis.
- E é muita coisa? – Perguntou Paul.
- Não, não… mas são coisas essenciais… água, pão…
- Então trata de ir sozinho até à cidade mais próxima. É melhor os outros ficarem aqui a trabalhar. Leva o Jipe e não te esqueças de ir buscar o cartão de crédito que nos forneceram.
John Pierce não precisava de ouvir mais nada. Foi buscar o cartão de crédito, pegou nas chaves do jipe e abalou. Encontrava-se agora a conduzir o jipe, a caminho da cidade mais próxima do acampamento. No entanto, enquanto conduzia, olhava constantemente para o seu telemóvel caído no “lugar do morto”. O telemóvel emitia ruídos constantemente devido ao facto de se encontrar à procura de rede. Até que emitiu um ruído que significava “rede encontrada e disponível”. John parou o jipe imediatamente, pegou no telemóvel e fez a ligação.