domingo, 29 de junho de 2008

Capítulo I - Parte I

Escuro como breu… apenas uma janela ao fundo deixava entrar a claridade mortiça do luar pelas frestas da persiana. De repente, um ruído de uma porta bater ao fundo. Vozes sussurrantes, uma gargalhada, vozes a sussurrar… de repente um grito!! Visão tremida, uma voz a gritar:
- Dr. Indiana, acorde! Disse uma voz eufórica, ao mesmo tempo que sacudia um homem com cerca de 1,80m, louro, de olhos verdes e com barba de três dias, que estava deitado num saco-cama térmico vermelho, no interior de uma tenda verde. “Outra vez o mesmo sonho.. Raios!!” pensou o “Dr. Indiana”. Aquele sonho perseguia-o desde que detinha consciência. Embora não fosse recorrente, não era um sonho do qual gostasse muito.
- Hum… Larga-me!! Para quê todo esta histeria? Respondeu o “Dr. Indiana”, cujo nome real era Paul Crones, um arqueólogo de 32 anos, sem qualquer tipo de reputação como grande nome da arqueologia. Trabalhava para a Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Vivia já há alguns anos na dúvida de ter escolhido o emprego certo. Paul olhou para fora da tenda. Escuro como breu.
- Encontrámos algo!
- Mas é assim tão importante para me acordarem? – Disse Paul, olhando para o despertador junto ao seu saco-cama, constatando, incrédulo, que eram 3h da manhã. É o lado negativo de se trabalhar com arqueólogos recém-licenciados de 24 anos. Tudo era uma novidade para eles, que viviam na ânsia de encontrar algo importante, trabalhando, por turnos, de noite e de dia (apesar das baixas temperatura sentidas naquela região à noite) à revelia de Paul.
- Se lhe dissesse que encontrámos aqui, a poucos quilómetros do vale das rainhas – Encontravam-se, de facto, em pleno Egipto, num estágio de fim de curso organizado por várias universidades inglesas e americanas. Paul tinha sido requisitado para o monitorizar sozinho, e, apesar das suas queixas relativamente a este facto, e das condições em que trabalhavam não serem as ideais (preferia a instalação de contentores próprios para o alojamento, à semelhança de outras equipas, em vez das tendas onde dormiam) não tinha recusado o convite. “Afinal não é todos os dias que somos convidados para uma viagem ao Egipto com tudo pago” pensou – vestígios que nada têm a ver com o antigo Egipto, o que me diria?
- Que vocês, principiantes, excitam-se muito, por, provavelmente, algo que algum turista perdeu numa visita.
- Quando o Dr. ver do que se trata, vai ficar tão eufórico quanto nós!

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