domingo, 6 de julho de 2008

Capítulo II - Parte II

O telefone do Prof. Stuart Mall tocou às 6h da manhã, nos Estados Unidos da América. Este era um indivíduo alto e esguio, já com uma idade relativamente avançada, mas que apenas se notava no seu pouco volumoso cabelo grisalho, sendo calvo no centro do crânio. Especialista em geologia, particularmente em minerais, era também professor universitário na Universidade de Memphis, Instituto de Arqueologia e Arte Egípcia.
Acordou na expectativa de que fosse aquilo porque tanto esperava, acendeu o candeeiro e pegou no auscultador. O que ouviu do outro lado teve o efeito de uma injecção de adrenalina, com o seu coração a bater descompassadamente:
- …
- Sim sou eu.
- …
- Já o encontraram?
- …
- Óptimo! Foram mais rápidos do que eu estava à espera. Mas têm que continuar a ser rápidos. Como já te tinha dito, a partir do momento em que encontrarem a câmara o tempo que têm pode não ser muito. Poderão estar em perigo.
- …
- Pensei que tinha avisado. Por favor sejam rápidos.
- …
- Peço desculpa, mas agora não vale a pena preocupares-te com isso. Ou melhor, preocupa-te em que os trabalhos decorram o mais célere possível
- …
- Aventura? Não te ponhas com brincadeiras! Isto é mais sério do que tu pensas.
- …
- Sim, não te esqueças de me avisar de novos desenvolvimentos o mais depressa possível. E, mais uma vez, tem cuidado! – O professor já não foi a tempo… o seu interlocutor interrompeu a ligação antes deste acabar a frase.
O professor Stuart Mall sentiu novamente um “baque” no coração quando ouviu o zumbido característico da chamada interrompida. Pela primeira vez tremeu da cabeça aos pés, e sentiu remorsos, ao pensar naquilo que poderia acontecer no Egipto. E, também pela primeira vez, duvidou do sucesso do seu plano, pondo em causa se os meios que tinha mobilizado valeriam o objectivo final. Será que valeria a pena fazer sacrifícios? Uma lembrança bem vincada na sua memória e no seu peito afastou estes pensamentos, reassumindo a urgência do seu objectivo.

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