- Ninguém os consegue ler… – Disse uma voz atrás de Paul que ele identificou como sendo de Peter Trown. De facto, em cima do altar que Paul tinha à sua frente encontrava-se uma pilha de manuscritos.
- Espero que ninguém os tenha tocado!!! Interrompeu Paul.
- Sim, a tentação foi muito grande, mas não tocámos, apenas olhámos e… – O inicio da frase fez Paul sentir-se aliviado, para o fim o sobressaltar com o “e”…
- E?
- E… ninguém os consegue ler… parecem estar escritos em grego, mas… não faz muito sentido… a disposição dos caracteres não faz muito sentido…
- Bem, eu já vou ver isso – Paul sentiu-se mais aliviado e, como de costume, subestimou os estagiários, concluindo que estes não deviam ter tido grandes notas a Grego.
- Mas professor, o polícia está lá em cima…
- Pois é… ajudem-no naquilo que ele precisar…
- Nós já o fizemos… ele já recolheu as impressões digitais, mas precisa de falar consigo… e tem claustrofobia, por isso recusa-se a entrar nas escavações – A ultima parte da frase foi dita quase num sorriso.
- Muito bem, então vamos lá ter com ele – Respondeu Paul também com um sorriso estampado no rosto. No entanto, Paul abandonou a câmara contrariado. As suas emoções cada vez eram mais difíceis de controlar.
Encontraram o polícia à entrada da escavação, a observar as paredes de rocha com alguma atenção.
- Está à procura de provas?
- Não, apenas a confirmar uma suspeita… Para além de ser policia, tenho como hobby a geologia… Sou licenciado em geologia. Infelizmente não tive oportunidade de prosseguir carreira. Bem, parece-me que o criminoso apenas pretendia provocar uma pequena derrocada à entrada… de modo a vos fechar no interior da escavação. A explosão não seria grande o suficiente para provocar o desmoronamento de toda a escavação.
“Se ele não tencionava destruir toda a escavação, é porque, realmente sabia o que aqui está, e que isto, o que quer que seja, poderá ter algum significado” pensou, sonhando já com o reconhecimento que sempre desejou desde que enveredou pela carreira de arqueólogo.
- Bem, vou voltar para a esquadra… Quando tiver mais informações entro em contacto consigo…
- Espere, seria possível ter alguém connosco a vigiar as escavações? Depois disto temos receio pelo que possa suceder – Perguntou John a Paul.
- Sim tens razão – Respondeu Paul, interrogando de seguida o policia.
- Vou ver o que posso fazer. Esta esquadra não tem competências nem meios para tal.
Dito isto, o polícia abandona as escavações em direcção ao seu veículo. Paul entra novamente nas escavações, seguido de um grupo de alunos. Volta a entrar na câmara, observando mais de perto a pilha de manuscritos: Notava-se a sua antiguidade, por alguma descoloração, mas, ao mesmo, impressionava o seu estado de conservação, sendo possível distinguir quase todos os caracteres.
E foram estes que deixaram Paul perplexo. Tal como os estagiários tinham afirmado, embora os caracteres se parecessem com os do grego antigo, a sua organização não fazia qualquer sentido.
Razão da minha ausência...
Há 11 anos
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