domingo, 6 de julho de 2008

Capítulo II - V e Última Parte

Chegados ao acampamento, os estagiários dirigiram-se às respectivas tendas, enquanto que Paul dirigiu-se com o polícia egípcio para a “tenda-cozinha”. Esta era maior do que as outras, com uma altura que permitia um homem manter-se de pé, e com uma área que albergava uma mesa e algumas cadeiras e estantes pré-fabricadas de metal. Aí procurou e amontoou toda a papelada sobre o estágio, sob o olhar sinistro e silêncio deste. Se o polícia queria justificações, ele ia-lhe dar tudo o que tinha, e... “obrigá-lo” a lê-la toda, tendo o cuidado de pôr no fim aquilo que procurava, para depois assumir uma expressão de triunfo.
Para seu espanto, o polícia não torceu o nariz quando olhou para o monte de papelada que este lhe apresentou. Muito pelo contrário lia tudo atentamente e registava informações num bloco de notas. Paul ficou desconfiado com tanta eficiência e preocupação por parte do polícia egípcia. Aquilo começava a parecer-lhe exagerado, e, por isso lembrou-se de repente:
- Desculpe, podia mostrar-me a sua identificação?
O policia mostrou um olhar de desagrado e suspirou como se Paul tivesse feito uma pergunta da qual ele tinha receio. Por fim respondeu:
- Com certeza… - Levou a mão ao bolso do uniforme e retirou de lá, não uma carteira, mas... um revólver que apontou a Paul.
- Mas... isto é uma brincadeira? Gritou Paul.
- Não, mas eu posso pô-lo a dançar se você quiser – Disse o falso polícia, com um sorriso maldoso – Basta que você faça alguma menção de fugir ou alertar os outros.
- Afinal o que se passa aqui?
- Digamos que vocês vieram meter o bedelho onde não eram chamados. Agora, arcam com as consequências…
- Hum… há mais alguém interessado em escavar aqui, é isso?
O falso polícia deu uma gargalhada arrepiante, mas sentida.
- Bem, já vi aquilo que tinha para ver na documentação. Você não precisa de saber de nada. Lá para fora, já!
Saíram da “tenda-cozinha” e o polícia mandou Paul caminhar à sua frente, encostando o cano do revólver às suas costas.
- Chame os outros. Diga que está tudo bem e que podem voltar às escavações.
Paul chamou os estagiários e ordenou-lhes, da forma mais natural que conseguiu que voltassem às escavações. Os estagiários não deram por nada de fora do normal e voltaram para o buraco na rocha.
- Agora é a sua vez. Volte para lá.
Paul mais uma vez obedeceu.

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