quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Capítulo IV - Parte III

Quando Paul, John e o polícia egípcio chegaram ao acampamento, os estudantes encontravam-se de novo numa enorme excitação, vindo alguns ao seu encontro.
- Já está tudo quase resolvido, podem ficar descansados – disse-lhes Paul – Agora é necessário recolher impressões digitais dos explosivos e detonador…
- Ah! Mas nós até já esquecemos esse episódio. Temos algo mais interessante em que pensar… replicou Peter Trown, com ar triunfante.
- Eu não tinha proibido que entrassem nas escavações? – Perguntou Paul, oscilando entre o aborrecido por não terem cumprido as suas ordens, e a excitação e curiosidade.
- Descobriram mais alguma coisa? Atalhou John Pierce.
- Após o professor e o John terem ido embora, continuámos a trabalhar na parede entre as duas colunas, porque nos pareceu óbvio que existiria algum espaço vazio entre elas. Pouco depois de termos iniciado o trabalho, a parede começou a desabar sozinha.
- Desabou sozinha? – Perguntou Paul incrédulo.
- Sim, e do outro lado existe uma câmara maior, quadrada e limitada por paredes de terra semelhantes à que desabou, e mais duas colunas dóricas.
- Está vazia? Perguntou Paul cada vez mais irrequieto.
Os estudantes olharam uns para os outros e Peter respondeu:
- Não…. – Mas apenas o polícia egípcio lhe devolveu um olhar confuso… não percebia inglês.
Paul precipitou-se para o interior da escavação, caminhando em passo acelerado em direcção à estranha câmara. Não se sentia tão entusiasmado desde que tinha ingressado na Universidade. A partir daí a sua vida tinha sido uma espiral de desilusão, pelo menos a nível pessoal. Era como se detivesse uma aura invisível, que o afastava dos outros, excepto a nível profissional e académico. No entanto, até esta vertente tinha decaído nos últimos anos, com trabalho monótono e de gabinete.
Ao entrar na pequena câmara que tinha visitado de manhã, reparou imediatamente nas mudanças descritas pelos alunos. A parede existente entre as duas colunas tinha desabado de facto. Assim, o espaço encontrava-se em estado de caos, que teve de atravessar com cuidado, maldizendo o pouco cuidado e organização dos estudantes.
Ao atravessar o vácuo onde antes estava a parede, Paul estacou maravilhado. Estaria a sonhar? A câmara que se encontrava à sua frente detinha uma ambiência de fantasia. Era de facto quadrada, limitada pelas quatro colunas dórica, e por um tecto também de pedra, mas lisa, onde seria fácil adivinhar a existência de um frontão. No entanto, não era isso que o fascinava.
No centro da câmara encontrava-se um pequeno altar, formado por um pedestal semelhante às colunas dóricas, mas mais baixo. Por cima deste, estava a última coisa que Paul esperaria encontrar…

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